A aposta editorial nas histórias em quadrinhos

As histórias em quadrinhos ocupam, há décadas, um espaço afetivo no universo dos leitores de todas as idades. Elas constituem uma linguagem complexa, que combina imagem e palavra em uma sequência de leitura própria, além de outros elementos, como linhas de ação, onomatopeias, balões de fala e requadros.
Apostar em quadrinhos é apostar em uma formação leitora completa: que as crianças aprendam a ler não apenas o texto verbal, mas também o visual; que compreendam os recursos poéticos e lúdicos, as estratégias narrativas, as escolhas de enquadramento e a própria arquitetura da página.
Na Editora Via Lúdica, acreditamos que quadrinhos são para todas as idades e que essa linguagem merece ser apresentada desde cedo aos leitores. Por isso, nossa proposta editorial organiza-se em um percurso: começar a apresentar quadrinhos às crianças desde bebês, habituá-las à linguagem, ampliar as possibilidades e, por fim, chegar aos leitores mais experientes, sem nunca abrir mão da potência estética que define as HQs.
Conheça um pouco mais da nossa proposta editorial e de como os quadrinhos podem ser apresentados gradualmente aos leitores.
Corre, cutia!: o primeiro passo para ler quadrinhos
Nosso percurso começa com Corre, cutia!, um quadrinho pensado especialmente para a Educação Infantil. Partimos de uma parlenda já familiar às crianças – um texto-brincadeira que vive no corpo, no ritmo e na oralidade – e, a partir dela, trabalhamos com poucos quadros e com um formato horizontal, o que pode colaborar para que os pequenos comecem a compreender, de maneira intuitiva, a sequência de leitura dos quadrinhos.

As frases se repetem (“Corre, cutia! Corre, cutia!”) e são acompanhadas pelos versos da parlenda original, reforçando o reconhecimento e criando segurança para que as crianças percebam como a narrativa se constrói na passagem de um quadro para o outro. É um primeiro contato com a lógica dos quadrinhos, de forma natural e acolhedora.
Eu sou uma batata!: entre o livro ilustrado e a HQ
O passo seguinte é Eu sou uma batata!, obra que se aproxima da linguagem dos livros ilustrados, já tão presentes no repertório das crianças, perfeita para leitores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Aqui, mostramos que quadrinhos não precisam, necessariamente, de requadros – aquele traço que cria uma borda ao redor das imagens – e que os balões podem assumir formas menos convencionais.

Na história, a fala dos personagens é indicada apenas por um “rabicho”, isto é, uma linha que aponta para quem está falando. A sequência narrativa está presente mesmo quando as marcações tradicionais da HQ se tornam mais sutis. Trata-se de uma etapa importante para mostrar que a linguagem dos quadrinhos é diversa, flexível e capaz de dialogar com outros formatos sem perder sua essência.
Já chegamos?: o quadrinho-imagem e o leitor atento
Em Já chegamos?, apresentamos uma variação essencial em um percurso formativo na linguagem das HQs: o quadrinho sem palavras. Aqui, todo o entendimento da narrativa depende da atenção aos elementos imagéticos – expressões, cenários, gestos, enquadramentos e ritmo das páginas.

É uma obra para leitores com mais fôlego, podendo alcançar, inclusive, crianças dos anos finais do Ensino Fundamental, pois exige um tipo de leitura ativa, em que nada é entregue pronto. É preciso observar, inferir e interpretar – exatamente as habilidades que consolidam um bom leitor de quadrinhos.
O homem que sabia javanês: HQ para leitores mais experientes
Por fim, para leitores mais velhos, próximos ao Ensino Médio, apresentamos a coleção Clássicos ao Quadrado. Em O homem que sabia javanês, revisitamos um clássico da literatura brasileira por meio da linguagem dos quadrinhos, criando uma tradução intersemiótica: o texto original ganha nova vida na dinâmica visual e narrativa própria das HQs.

Essa abordagem amplia o acesso à obra, atrai novos públicos e convida os leitores a vivenciarem o clássico sob outra perspectiva, além de aprofundar a relação com a linguagem dos quadrinhos.
Por que apostamos em quadrinhos
Acreditamos que histórias em quadrinhos são uma linguagem completa, que contribui para a formação do leitor de mundo. Elas estimulam a percepção dos ditos e não ditos das narrativas, dos entre quadros, dos balões de fala e das imagens.
Nossa aposta editorial nasce dessa certeza: formar leitores de quadrinhos é formar leitores mais atentos, curiosos e críticos. É esse o caminho que queremos trilhar com você... quadro a quadro!
Luara Almeida – Editora da Via Lúdica, Doutora em Literatura e Crítica Literária, e leitora voraz de histórias em quadrinhos.
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Eu sou uma batata!
EU SOU UMA BATATA! - CAPA DURA
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Corre, cutia! - Capa flexível
Divirta-se com a história da pequena cutia que corre para entregar um bolo. Livro indicado para crianças a partir de 6 anos, na loja multiletras!
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Já chegamos?
Já chegamos?



